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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Teologia e Ecologia

O nosso planeta está passando por um processo de deterioração, isto é, vivemos em dias em que os jornais e noticiários não cessam de transmitir as horripilantes noticias catastróficas com respeito à questão ecológica. Podemos citar exemplos como, ameaças do efeito estufa, extinção do arco-íris, Tsunamis, etc.
Wander de Lara Proença chega a dizer: “Literalmente, a vida em toda a sua biodiversidade pede socorro!”.
É muito preocupante tudo isso que vem sendo nos informado, por dados estatísticos que indicam gravidade na questão ecológica. Nos últimos anos podemos ver que a terra em geral, mas principalmente o nosso ecossistema, que é o interesse desse trabalho, está sendo agredido e violentado. O processo de desmatamento, poluição e extinção estão influenciando e diminuindo a cada dia a nossa qualidade de vida. Diante de tais acontecimentos é, fundamental, que a igreja, que é agente de transformação do contexto histórico em que ela está inserida, comece a contemplar e se preocupar com a ecologia.
Temos como um dos grandes exemplos de deterioração ecológica as mudanças climáticas. Isso ocorre devido à concentração de gases de estufa na atmosfera, principalmente vapor de água, dióxido de carbono, ozônio, óxido nitroso, metano e clorofluorcarbonetos. Os três primeiros que citamos a cima são responsáveis por mais de 50% do efeito estufa. Esses gases normalmente provem de queimadas objetivando os interesses dos agricultores e os desflorestamentos.
O planeta Terra se encontra ameaçado em seu equilíbrio dinâmico, por causa das diversas formas exploratórias e predatórias que os seres humanos se acostumaram. Com relação a este assunto, Leonardo Boff faz o seguinte comentário:
"Em face desta situação global, temos o dever sagrado de assegurar a vitalidade, a diversidade e a beleza de nossa Casa Comum. Para isso, precisamos fazer uma nova aliança com a Terra e um novo pacto social de responsabilidade entre todos os humanos, fundado numa dimensão espiritual de reverência ante o mistério da existência, de gratidão pelo presente da vida e de humildade, considerando o lugar que o ser humano ocupa na natureza".
A bíblia nos apresenta no livro do Gênesis um Deus muito próximo da sua criação, tendo por ela um enorme zelo e cuidado. Deus estabelece um intenso relacionamento com a mesma, “chegando, inclusive, por um ato convocatório, torná-la co-participantes dos seus próprios atos criacionais quando a convida para gerar e preservar a vida”.
Nós precisamos estar atentos e entender, que o fato da humanidade ter sido criada a imagem e semelhança de Deus na narrativa do Gênesis, significa que ele exige atitudes iguais e relacionamentos semelhantes com sua criação; assim como demonstramos ter por ele, como filhos que se doam por amor a seu criador. “Isto equivale a estabelecer com a natureza parceria no processo de recriar e de preservar a vida em toda a sua biodiversidade”.
Somos seres criados por Deus e temos a nossa obrigação de cuidar e preservar do jardim (Terra) onde ele nos colocou. “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra (...) E tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para cultivar e guardar” (Gn. 2:7-15). Através deste texto entendemos, segundo a linguagem poética que a bíblia usa para nos transmitir essa mensagem, que a humanidade foi formada do pó da terra, é natureza, e estão ambos inseparáveis no papel de gerar e cuidar da vida.
O que entendemos com isso até agora é que temos um papel importantíssimo a cumprir: de preservar o meio ambiente e lutar contra as ameaças que põe em risco a nossa qualidade de vida e também o nosso planeta. Leonardo Boff diz:
"Finalmente, entre acertos e erros, imensas perplexidades e discretas realizações, toda preocupação ética deve dar centralidade ao destino comum de todos os que participam da aventura terrenal, que significa uma singela participação no sentido misterioso de todo o universo."
O futuro da Terra e da humanidade depende das condições ambientais e ecológicas. Que possamos nos conscientizar da obrigação que temos como cidadãos e igreja, de reverter esta situação para que não haja ainda mais frustrações e desespero com o futuro ecológico da Terra.

BIBLIOGRAFIA
BOFF, Leonardo. Ethos Mundial. Rio de Janeiro: Ed. Sextante, 2003.
PROENÇA, Wander de Lara. Práxis Evangélica vol 5. art. O Sábado da Criação e o Conceito Moderno de Progresso. Faculdade Teológica Sul Americana, 2004, pp. 11-35.
BARBIERI, José Carlos. Desenvolvimento e Meio Ambiente, Petrópolis: RJ, Ed. Vozes, 1997.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ONIPONTÊNCIA: ATRIBUTO DE UM DEUS CRIADOR


Introdução

Muitas pessoas perguntam o que são atributos de Deus, quando muitas delas se empenham no estudo e na pesquisa do mesmo, surge à seguinte indagação: Como e onde são manifestados estes atributos de Deus hoje?
Neste trabalho pretendo desenvolver o conceito e o termo de um dos atributos de Deus, a saber: A sua onipotência divina. Uma das maiores curiosidade do ser humano é saber como se deu a existência de tudo que há no mundo e no universo. Partindo desse ponto de vista, tem surgido muitas opiniões por religiões e também pela ciência.
A partir da reflexão teológica protestante, que tem como fundamento as escrituras sagradas, que é o testemunho da revelação de Deus, é que explicaremos o que é, e onde contemplamos a onipotência de Deus.

1. Doutrina sobre Deus
1.1 Conceito do termo Onipotência

A palavra onipotência vem do latim, omnis e potens, que significa todo poderoso. Esse termo fica subtendido e pode ser definido como um poder universal e ilimitado. Quando essa palavra é vinculada ao monoteísmo, vamos chegar à conclusão que é a concentração de todo poder em um único Ser; reconhecendo que existem outros seres dotados de certa medida de poder. A onipotência é o poder sobre todas as coisas, tanto para criar como para fazer tudo. Subtende-se que a idéia de onipotência é a influência absoluta que controla todas as coisas em todo tempo e em todos os lugares. É a influência onipotente de Deus que garante a imortalidade humana, nesse caso, podemos esperar que Deus continue exercendo sua influência, controle em todo o universo e dimensões da existência.
Deus é o sustentador de todas as coisas, ele é tanto sustentador como criador e isso implica no exercício de sua onipotência. Esse termo está ligado à própria existência, e não apenas naquilo que Deus possa querer fazer. É uma ramificação existencial da compreensão de Deus como Ser Todo Poderoso. Ser é Poder; e Deus é esse Poder. O poder de Deus é manifesto também nas causas secundárias, que cuja existência é mantida pelo poder divino.
Segundo Chanplin, a onipotência divina consiste em outro atributo que pode ser assim descrito:
A onipotência implica em um outro atributo divino, a independência. Deus é vivo e é a substância mesma da vida, sendo um Ser auto-existente. Todos os outros seres dependem dele para vir a existência e continuar existindo. Os poderes secundários, pois são dependentes.
Com essa idéia e tudo que vimos até agora, podemos dizer que Deus é um Ser Todo Poderoso e independente de qualquer outro ser ou coisa existente. “Platão definia o ser como “poder”, o que indicava que o Ser Supremo também é Poder Supremo”.

1. 2 A Onipotência de Deus na criação

A crença em um Deus “todo poderoso” ou onipotente é a base fundamental e tradicional da Fé cristã. No Credo Niceno encontramos a seguintes palavras: “Creio em Deus Pai todo-poderoso”. Se Deus é onipotente, ele pode fazer qualquer coisa. Estamos falando aqui no sentido lógico de onipotência divina. Deus não pode fazer um circulo quadrado, ou um triângulo redondo, porque sabemos que isso seria uma contradição lógica das coisas. Deus é onipotente, e por isso, se entende que ele pode fazer qualquer coisa, desde que não comprometa uma contradição lógica.
A prova existente da onipotência de Deus está exatamente na Criação do mundo. Deus começou a executar o seu plano a partir da Criação. Usamos a expressão “começou”, porque essa obra continua na sua Providência geral e na Providência especial da Redenção.
A Criação faz parte do dogma de todas as igrejas cristãs, como aparece nos credos ecumênicos, que quase com as mesmas palavras se repete. O artigo primeiro do credo apostólico aparece a seguinte expressão: “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador dos céus e da Terra”. Essa doutrina tem um fundamento racional de explorar através da razão uma causa adequada para explicar a origem e existência do mundo. Mas, do mesmo modo, que existem argumentos para provar a existência de um Deus Criador e onipotente, servem apenas para fortalecer a crença intuitiva e não para prová-lo; assim, também, não se pode racionalmente provar a obra da Criação. O autor da carta aos Hebreus (1:3), diz: “É pela fé que sabemos que os mundos pela palavra de Deus foram formados”.
Muitos têm tentado provar a existência de Deus e o ato da criação, mas sem argumentos concretos. Fazem apenas conjeturas, tentando provar a criação através do big-bang (grande explosão) e não conseguem provar coisa alguma, menosprezando o testemunho bíblico que em seus primeiros capítulos apresenta um Deus Criador e onipotente: “No principio criou Deus os céus e a terra” (Gên. 1:1) Com base nesse texto o Catecismo Maior de Westminster, na Pergunta 15, assim define a doutrina: “obra da criação é aquela que pela qual Deus, pela palavra do seu poder, fez do nada o mundo e tudo quanto nele existe, para si, no espaço de seis dias e tudo muito bom”.
Sobre o ato criador de Deus não partindo de nenhum material preexistente, Teixeira comenta:
“Deus pela palavra do seu poder fez o mundo do nada”: isto é, fez sem material preexistente. Esta idéia é própria do pensamento judeu-cristão. O verbo criar significa comumente fazer transformações, como, por exemplo, construir uma casa, aumentar o número de um rebanho ou o volume de uma colheita de trigo: são criações, mas todas dependentes de material preexistente que as possibilita. Sem isso ninguém empreende fazer coisa alguma e o aforismo – do nada se faz – fruto do bom senso como da experiência universal, é sempre apresentado contra a doutrina cristã.

O texto de Gênesis no verso primeiro nos apresenta o verbo hebraico bará, que é traduzido por criar “No principio criou Deu...” isso pode ter o sentido comum acima de fazer; mas quando essa palavra é usada na forma verbal, onde é encontrada acima, tem o sentido especial de criar sem material preexistente. Isso é o que afirmam os eruditos da língua hebraica.
E é a partir desse ato, de poder criar tudo que existe, sem que haja nenhuma matéria preexistente, que contemplamos o Poder divino e a existência de um Deus criador, assim afirma Hefner:
A doutrina cristã da criação é sobre tudo uma afirmação de como os cristãos consideram o mundo de uma maneira proporcionada com o que crêem a respeito de Deus. Este vínculo entre deus e o mundo precisa ser respeitado se quisermos compreender esta doutrina cristã completa e adequadamente. A idéia da criação “a partir do nada” é parte integrante da doutrina porque é uma forma poderosa de se afirmar a dependência total do mundo em relação a seu Criador. Elaborar a forma em que esta dependência deve ser concebida está no cerne da reflexão teológica.

O mundo e tudo que foi criado segundo a onipotência de Deus é para o ser humano, ele é o único beneficiado. Sobre isso, comenta Hefner:

Os cristãos confessam sua fé quando louvam a Deus como Criador que fez o mundo e os seres humanos. Deus criou os seres humanos à imagem divina, conferindo-lhe com isto um lugar especial neste mundo e responsabilidade especial por ele. A criação teve lugar por meio de Cristo. A obra de Deus como Criador é originadora, contínua e consumadora. Os seres humanos são os beneficiários, deste poder criador de Deus não somente em sua origem, mas também na disponibilidade do poder criador de Deus para redimi-los, para torná-los “novas criaturas”, para torná-los participantes da realidade de Cristo e, com isto, para capacitá-los a fazer a vontade de Deus de forma transformadora no mundo.

Quando contemplamos o Poder magnífico de Deus na Criação, logo nos é despertada a atenção, de também contemplar a perfeição de tudo aquilo que foi criado segundo a onipotência divina. Diz a narrativa que, no fim de cada período da sua obra, o Criador, considerando- a, viu que o que estava feito “era bom”, e ao terminá-la, quando criou o homem à sua imagem, viu que “tudo era muito bom” . Essa afirmativa foi necessária como complemento da obra. Pensemos pela seguinte razão: A Criação, que é obra do Plano divino, só poderia ficar acabada quando a mesma viesse a ser declarada pelo idealizador do Plano. Os seres humanos, por mais espertos e criativos que sejam, custam a ficar satisfeito com suas obras; às vezes é preciso desfazê-las para ajustá-las, o mais possível, ao seu ideal.
Sendo Belo por natureza e a fonte de toda a beleza, Deus, muito mais que os artistas humanos, exige perfeição em sua obra, ou que ela venha reproduzir exatamente seu Plano. A afirmação de Deus de que estava satisfeito com sua obra serviu para dá-la por acabada e afirmar ao mesmo tempo a sua perfeição: ele não poderia ter finalizado enquanto tudo aquilo que tinha sido criado por Ele não fosse perfeito, e não satisfizesse o ideal do divino Artista.

Conclusão

Este trabalho nos mostrou o quanto é importante nós sabermos e reconhecermos a onipotência de Deus. Deus é o sustentador de todas as coisas, ele é tanto sustentador como criador e isso implica no exercício de sua onipotência.
Através da teologia e a fé protestante descobrimos um Deus que Cria tudo do nada, sem nenhum material preexistente. E tudo o que ele Criou foi com uma perfeição especial, que nenhum ser vivente pode se igualar.
Com isso, concluímos que a criação e tudo que acontece no universo não é simplesmente uma obra do acaso. Existe um autor por trás de tudo isso, um Deus que age na história do homem e no universo, que mantém e sustenta aquilo que por Ele foi Criado.

Bibliografia

NORMAN, Champlin, Norman, Bentes, João, Marques, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, Vol. 6, São Paulo, Editora e Distribuidora Candeia, 1991.
BRAATEN, Carl E; JENSON, Robert W. Dogmática Cristã. 2edição. Ed. Sinodal. São Leopoldo, 2002.
MCGRATH, Alister E. Teologia. sistemática, história e filosófica. Ed. Vida Nova. São Paulo, 2005.
TEIXEIRA, Alfredo Borges. Dogmática Evangélica. Ed. Pendão Real. São Paulo, 1958.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

DOUTRINA DA TRINDADE

Introdução

Pretendo neste trabalho expor algumas das definições a respeito da doutrina da Trindade. Esta doutrina vem sendo há muito tempo discutida no âmbito da teologia sistemática, não somente nesse meio, mas também na esfera eclesiástica por pessoas leigas no assunto que tentam descobrir uma explicação clara a respeito da Trindade.
No início apresentarei o conceito de Trindade de forma geral, bem como seu surgimento e como se deu a idéia dessa doutrina. Em seguida irei expor alguns termos relacionado à Trindade e quem foi o idealizador dos mesmos.
Precisamos entender que esse trabalho não visa explicar a doutrina da Trindade, mas sim apresentar seu conceito e termos relacionados a ela. Temos que levar em consideração que essa doutrina é um mistério de Deus, sendo assim não vai ser apresentado aqui nenhuma nova concepção da Trindade.


1. Doutrina da Trindade

1.1Conceito de Trindade

Para começarmos a discorrer sobre a doutrina da Trindade especificamente, precisamos ter uma compreensão de forma geral do seu termo, lembrando que não existe um termo especifico para tal, sendo assim um mistério divino. A doutrina da Trindade é, sem dúvida alguma, um dos temas mais complexos da teologia cristã e requer uma cuidadosa discussão.
Pode ser que não cheguemos a um consenso, porém, no desenvolvimento da pesquisa, apresentaremos de forma mais ampla possível essa questão que na teologia sistemática já é assunto de debate há muitos séculos.
O surgimento da doutrina da Trindade segunda a tradição surge por volta do início do desenvolvimento da teologia cristã, isso se deu ao fato de os credos cristãos exercerem influência nas obras produzidas nesse período. Os credos começam com uma declaração de fé em Deus; sendo assim, era natural a muitos teólogos seguir esse modelo, tendo como ponto de partida no começo de suas obras um tipo de discussão relacionada à doutrina de Deus.
Podemos encontrar os fundamentos para essa doutrina no modelo da atividade divina, espalhado e testemunhado pelo Novo Testamento. Deus Pai é revelado na pessoa de Jesus Cristo por meio do Espírito. Nas escrituras do Novo Testamento, há uma ligação muito próxima entre o Pai, o Filho e o Espírito. Nós podemos perceber que por inúmeras vezes, as passagens do Novo testamento unem esses três elementos, sendo assim como uma parte inteira de um todo maior. Vemos que a totalidade do poder redentor de Deus somente poderia ser expressa por meio desses três elementos.
A complexidade de se entender a questão da Trindade parte do modelo de atividade divina, isto é, nas escrituras do Novo testamento encontramos três “personificações” de Deus: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
Nós não encontramos em parte alguma das escrituras a doutrina da Trindade, assim comenta McGrath:

A doutrina da Trindade pode ser considerada como resultado de um processo de reflexão crítico e contínuo sobre o modelo de atividade divina revelado nas escrituras e continuando na experiência cristã. Isso não quer dizer que as Escrituras contenham uma doutrina da Trindade, antes, as Escrituras testemunham um Deus que requer ser compreendido de forma trinitária.

Para entendermos o conceito de Trindade, é preciso ter em mente que ela é una, ou seja, tem três pessoas, mas apenas um Ser. Existe apenas uma divindade, com isso, a Trindade Pai, Filho e Espírito Santo são uma divindade apenas. É isso que nós veremos com mais detalhes no próximo tópico.

1.2 O desenvolvimento do termo

A terminologia aplicável à doutrina da Trindade é, sem dúvida, uma das maiores dificuldades de todas as pessoas que se detém ao assunto. A expressão “três pessoas, uma substância” essa expressão não fica de forma clara na mente humana, mas podemos verificar seu significado e importância, ou seja, entender os termos ligados a essa doutrina.
Para entendermos mais precisamente a terminologia característica da Trindade, faremos o uso do dicionário Bíblico Universal que trás a seguinte definição para o termo: “o reconhecimento de um só Deus, sendo feita, contudo a distinção, dentro da Divindade, entre Pai, Filho, e Espírito”.
O primeiro a utilizar esta forma de se nomear Deus foi Tertuliano. Ele definia Deus como a única substância divina, em três pessoas ou hipóstases. A palavra pessoa, a priori pode ser entendida de forma errada, ela é uma palavra latina (persona), que significa as várias faces de um ator, desta forma, Deus é um em suas três faces diferentes. No livro Calvino, Vida, Influência e Teologia, Wilson diz que: “A palavra pessoa, latina - persona corresponde à palavra grega hipóstasis. Daí o uso de subsistência, que parece melhor para distinguir cada um”.

Tertuliano foi o teólogo responsável pelo desenvolvimento do termo Trindade. Algumas pesquisas realizadas alegam que ele foi o criador de 509 novos substantivos, 284 novos adjetivos e 161 novos verbos na língua latina. Não nos surpreende o fato de ter surgido novos termos quando ele se dedicou a sua atenção em relação à doutrina da Trindade. Precisamos destacar três deles que são de suma importância:
Trinitas. Tertuliano criou a palavra “Trindade” (no latim, Trinitas), esse termo desde a sua época tornou-se característico da teologia cristã. Muitas outras possibilidades foram exploradas, mas era tão grande a influência deste teólogo que esse termo veio a ser normativo na igreja ocidental.
Persona. Esse termo latino foi introduzido por Tertuliano, para a tradução da palavra grega hypostasis, que estava sendo aceita nas igrejas de língua grega. Como já vimos a cima, a palavra pessoa que em latim (persona) significa as várias faces de um ator. Esse termo pode ter sido usado por Tertuliano para que seus leitores entendessem a idéia de “uma substancia, três pessoas”, no sentido de que Deus desempenhava três papéis distintos. Possivelmente ele queria mostra que por trás da pluralidade dos papéis encontrava-se um único ator.
Substantia. O plano de aplicar esse termo era para expressar a idéia da existência de uma unidade na Trindade, apesar da complexidade inerente à revelação de Deus na história. A “substância” é o que as três pessoas da Trindade têm em comum. Nós não podemos entender isso como alguma coisa que exista independentemente das três pessoas; mas pelo contrário, isso mostra o fundamento de sua unidade comum, apesar da distinção em suas manifestações exteriores.

1.3 As obras da Trindade ou Trindade econômica

A reflexão cristã a respeito da trindade é, como já vimos, o testemunho do Novo testamento em relação à presença e ação de Deus em Cristo e por meio do Espírito.
O processo da salvação segundo Irineu do início ao fim, testemunham a ação do Pai, Filho e Espírito Santo. Ele fez uso do termo que aparece com em discussões posteriores sobre a Trindade: “a economia (plano) da salvação”. Para uma melhor compreensão apresentarei a explicação do termo “economia”. “A palavra oikonomia significa basicamente “a maneira pela qual alguém administra seus negócios” (assim fica clara sua relação com o sentido atual da palavra)”.
Para Irineu, “a economia (plano) da salvação” era usado por ele significando “a maneira pela qual Deus administrou a salvação da humanidade na história”.
Tanto as definições mais antigas como as mais recentes a respeito da Trindade, atribuem diferentes funções a cada uma delas Guthrie diz que:

O Pai é o criador, o governador, o protetor e o preservador do mundo. O filho é o juiz o reconciliador e o salvador dos seres humanos. O Espírito santo é o Deus que atua no mundo para renovar e transformar os corações. Três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo. Três obras – Criação-preservação, reconciliação-salvação, renovação-transformação.

Não podemos afirmar que são três deuses diferentes, e nem que Deus faz três coisas diferentes. Antes, o Deus revelado na bíblia é um Deus único, e sua totalidade está envolvida em tudo o que Ele faz. Deus é o mesmo no Antigo e Novo Testamento. Os mesmos atos de Deus no Antigo Testamento são os atos revelados por Cristo e consequentemente pelo Espírito Santo. São obras distintas, porém presentes nas três pessoa da Trindade e reveladas por cada uma delas. Karl Rahner comenta que:

Na história da salvação, quer coletiva quer individual, vêm ao nosso encontro imediato não quaisquer forças numinosas que representem a Deus, mas nos vem ao encontro e nos é dado na verdade o próprio Deus único, que em sua absoluta singularidade – advém ele próprio onde nos achamos e onde o recebemos a ele próprio e como ele próprio em sentido escrito.

As suas obras são geralmente atribuídas de forma individual, entretanto, quando atribuímos a somente uma das pessoas, não estamos excluindo as outras. A criação é obra do Pai, a reconciliação é a obra do Filho e a santificação ou redenção é obra do Espírito. As diferentes obras das três pessoas podem ser colocadas lado a lado, contudo, não podemos separa-las. Suas vontades estão interligadas, o que o Filho quer, o Pai quer, o que o Espírito quer, o Pai e o Filho também querem, onde uma está atuando as outras duas pessoas está também, assim o Pai, o Filho e o Espírito são um, desta forma suas obras são indivisíveis.
Portanto, a Trindade e suas obras devem ser entendidas em sua totalidade, mesmo sendo atribuídas a pessoas diferentes, são obras de um único Deus. Deus este que sempre esteve presente na vida do ser humano e nos dá o exemplo de vida em comunhão.

Conclusão

Esse trabalho nos mostrou alguns conceitos da doutrina da Trindade tendo a seu desenvolvimento a partir do seu conceito e algumas definições do termo, cumprindo as suas normas nesse trabalho.
Podemos dizer que é de suma importância a nossa crença na doutrina da Trindade, embora as escrituras não trás esse termo, encontramos de uma forma implícita na bíblia. Afirmo que é importante a nossa crença na Trindade, porque quando assim fazemos, percebemos a “economia (plano) da salvação” e o amor de Deus para conosco, pobres seres humanos e pecadores.
Assim concluo dizendo que a Trindade veio ao longo de dois mil anos sendo estudada por muitos teólogos. Essa doutrina é importante, pois, nos revela o agir de um Deus, mas em três pessoas distintas, transmitindo seu amor e cuidado com ser humano.
A doutrina trinitária se ocupa tanto da natureza de Deus (teologia), ou seja, daquilo que Deus é, isto corresponde ao termo “Trindade Imanente”, se refere a vida e obra de Deus, do ponto de vista de Deus em si mesmo, quanto daquilo que Ele faz no processo de salvação (economia), esta corresponde ao termo “Trindade Econômica”. Estas, não podem ser separadas uma da outra, não significa duas Trindades, mas, maneiras nas quais o único Deus “é” Deus. (4) A linguagem bíblica é essencialmente “econômica”, revela a ação de Deus na história, pois não podemos conhecer o que Deus é; Ele é sempre mais do que podemos dizer Dele, mas, conhecemos de Deus a partir do que Ele faz.

Bibliografia

BRAATEN, Carl E; JENSON, Robert W. Dogmática Cristã. 2edição. Ed. Sinodal. São Leopoldo, 2002.
MOTMANN, Jürgen. Trindade e Reino de Deus. Ed. Vozes. Petrópolis, 2002.
BOFF, Leonardo. A Santíssima Trindade. Ed. Vozes Petrópolis, 1996.
FERREIRA, Wilson Castro. Calvino: Vida Influência e Teologia. Ed. “Luz Para o Caminho”. Campinas, 1985.
HAHNER, Karl. Curso Fundamental da Fé. Ed. Paulinas. São Paulo, 1989.
MCGRATH, Alister E. Teologia. sistemática, história e filosófica. Ed. Vida Nova. São Paulo, 2005.
BUCKLAND, Arcediago A.R. Dicionário Bíblico Universal. Ed. Vida. São Paulo, 1981.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Jesus foi “criado” por Deus à luz de Colossenses 1:15?

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criação”.

As Testemunhas de Jeová, dizem que Jesus não pode ser Deus. Porque é chamado na Bíblia de o primogênito da criação de Deus, não sendo, portanto, eterno, mas criatura.
O texto diz que Jesus é o primogênito da criação, mas não que ele é o primogênito de Deus. A Bíblia ensina, que primogênito nem sempre significa ser o primeiro a ser criado, ou o primeiro de uma série. A palavra primogênito aparece como sendo uma posição de destaque Sl 89:27, onde Davi é chamado de primogênito sendo Eliabe o primogênito de Jessé. Outro exemplo está em Jr 31:9 onde Efraim, o segundo filho de José, é chamado de primogênito, quando, na verdade, o primogênito era Manassés.
No texto em estudo, o sentido óbvio de Jesus ser chamado de o primogênito é de preeminência, como se lê no v.18... “para que em tudo tenha a preeminência”, isto é, o que tem a primazia e o domínio. É exatamente nesse sentido que se refere a Jesus. À luz do próprio v.17, a expressão “Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”, afirma categoricamente que Jesus não faz parte da criação, é um Ser à parte da criação.
O texto aponta a palavra grega prototocos (prototokos) para “primogênito”, e não protoctisis (protoctisis) “primeiro criado”. Dizer que Jesus foi criado por Deus, é um grande equívoco e fere completamente os princípios da fé cristã. É uma interpretação herética que exclui completamente o real sentido do texto bíblico.
Que Deus nos ajude, através da iluminação de seu Espírito, a propagar as verdades doutrinárias de sua palavra. Para que tenhamos uma fé mais firme e consistente naquele que nos chamou para fazermos a diferença num mundo indiferente.
Deus nos Abençoe!
Pr. Rodrigo da Costa Santos

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sabedoria de Deus: Loucura para o mundo

Uma das grandes tendências da igreja moderna, ou pós-moderna, como preferem alguns, está no fato de aderir e valorizar a sabedoria secular à Sabedoria de Deus que é o conhecimento do próprio Cristo. Esta busca pela sabedoria secular que, desconsidera aquilo é mais importante e central nas escrituras: Cristo. Foi combatida pelo Apóstolo Paulo na igreja de Corinto (1 Cor 1: 18 – 25; 2: 1 – 5). As pessoas eram fascinadas pelo discurso proeminente e encantador dos pregadores que, com muita classe e estilo, dominavam a arte da retórica e da oratória, critério pelo qual se reconhecia quem falava bem e influenciava as pessoas com seus discursos eloqüentes e filosóficos pautados em sabedoria de palavras (1 Cor 1: 17b). Paulo, apesar de ser um herdeiro desta arte, se absteve de tal recurso, porque a força salvadora de sua mensagem não estava em sabedoria de palavras, mas na Cruz de Cristo.
A palavra de Deus só tem poder salvífico na vida daquele que crê por meio da fé, na obra redentora de Cristo na Cruz.“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (...)” (Rm 1: 16) Esta palavra encarnada é a real expressão da sabedoria, do amor e da misericórdia de Deus a humanidade. Hans Urs von Balthasar, célebre teólogo suíço, disse que Cristo é a “hermenêutica de Deus”, ou seja, hermenêutica é a arte interpretativa de textos ou palavras. Balthasar queria dizer que a interpretação do Ser e da obra de Deus está revelada em Cristo. Ele é a revelação máxima de Deus.
A igreja deve estar atenta a mensagem que nos leva a refletir na Cruz e naquilo que ela nos representa. Alguns cristãos de Corinto (para não falar dos Judeus caçadores de milagres) estavam dando valor altíssimo à sabedoria humana e a eloquência, pois admiravam a típica atração grega pela retórica e pelos estudos filosóficos. Os cristãos estavam focados numa mensagem que revelava a erudição, intelectualidade, o racionalismo e a lógica do pregador. Por isso, Paulo diz: “Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem (...)” (1 Cor 1: 18a) Loucura, porque a mensagem da Cruz jamais teria uma explicação lógica para os fascinados em sabedoria secular.
Muitos ainda estão perecendo, porque perderam o foco da verdadeira mensagem. Tentam racionalizar tudo e não se alegram com a mensagem da Cruz, mas sim com as conjugações verbais bem colocadas do pregador. Aliás, já não conseguem enxergar outra coisa a não ser isto. Acabam valorizando mais o que é de menos e minimizando a graça, a sabedoria e o poder de Deus revelado na Cruz. “Não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?” (1 Cor 1: 20). Qualquer argumento lógico e filosófico para descrever ou definir a grandiosidade de Deus acaba em nada, em loucura... “O mundo não o conheceu por sua própria sabedoria (...)” v.2. Esta mensagem, considerada por alguns como loucura, é poder de Deus na vida daqueles que são salvos. (v. 18b) Poder de Deus, porque o pecado, até aí adversário invicto do homem, foi vencido pela sabedoria de Deus, porque mostra que ele conhecia a verdadeira natureza do fracasso do homem e fez provisão para salvar o mesmo. E o apóstolo conclui, declarando triunfantemente que a loucura de Deus ,como assim julgavam, é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus, mais forte do que os homens. (v.25)

Deus nos abençoe!
Pr. Lic. Rodrigo da Costa Santos.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

CRIADOS POR DEUS, OU FRUTOS DO ACASO?


No dia 12 de fevereiro deste ano, foram comemorados os 200 anos do nascimento do naturalista inglês Charles Darwin (1809-2009) e os 150 anos de sua “Teoria da Evolução”. Esta teoria é baseada em sua obra intitulada “A Origem das Espécies”, lançada em 1859, sua primeira edição. Dentre os grandes debates que vêm sendo travados ao longo dos anos, há um de grande relevância mundial: Evolucionismo versus Criacionismo:O Evolucionismo tem como base principal as idéias de Charles Darwin, cuja teoria possui seu nome: Darwinismo. De acordo com esta teoria, as espécies mudam muito pouco durante milhões de anos, e, de uma hora para outra, sem que exista uma explicação para isto, sofrem uma brusca transformação. Segundo a teoria, pelo acaso, tudo veio a existir. Sendo assim, o homem, este ser dotado de intelecto e personalidade, veio passando por “pequenas melhorias”, de “ameba do pântano a chimpanzé das selvas”. Em suma, esta teoria defende que somos filhos do caos, frutos do acaso.O Criacionismo, como o próprio nome diz, defende que tudo o que há embaixo “na terra” ou em cima “ nos céus” é resultado de uma criação, de uma intenção perfeitamente dotada de propósitos, tendo um Criador por detrás das leis da natureza.Um Deus Soberano.Diante dessa realidade, podemos nos perguntar: Somos obra do acaso, ou frutos da Criação de Deus? A minha preocupação é que, apesar da Teoria da Evolução apresentar dificuldades e dúvidas, ela se mantém nos círculos acadêmicos para explicar a origem da vida e sua diversidade. Todas as nossas crianças, jovens e adolescentes são doutrinadas nas escolas com essa teoria. Suas especulações são ensinadas e defendidas como se fossem verdades absolutas, que muitas vezes, confundem a fé da juventude cristã no Deus Criador. Vale à pena considerar que, assim como o criacionismo, o evolucionismo também baseia - se em opiniões pautadas na fé. Mas, uma fé baseada no acaso, pois tudo que defendem são suposições.Acreditamos que Deus criou todas as coisas existentes como ato de sua vontade. Em Romanos 4: 17 diz que Deus “chama à existência as coisas que não existem”. Isso nos ensina que no momento da criação, não havia nenhuma matéria preexistente (antecipada) e, pelo poder de sua palavra criativa, o que não existia veio a existir .“Disse Deus: Haja luz; e houve luz” Gênesis 1: 3. O propósito das passagens bíblicas a respeito da criação não é dizer como Deus executou seu projeto, mas sim que foi Ele o seu autor e executor.Para um criacionista existem a fé, a Bíblia e a maravilhosa realidade física criada por Deus. É certo que não podemos explicar satisfatoriamente uma fé com provas físicas, mas muitas vezes essas realidades físicas servem para amparar a fé e, é isto que vemos no caso da criação. Temos que nos conscientizar que não há espaço para a ação do acaso na origem da vida. Tudo foi planejado por Deus, o Criador. Os objetos de estudo dos evolucionistas não comprovam a teoria por eles defendida. Como declarou G.K. Chesterton: “os evolucionistas parecem saber tudo acerca do elo perdido, a não ser o fato de que ele está perdido”.Que o nosso desafio, seja instruir as pessoas com seriedade e compromisso na palavra de Deus. Para que não sejamos vítimas de teorias que confundem a fé cristã no Deus Criador.

Deus nos abençoe.
Pr. Lic. Rodrigo da Costa Santos.

Psicologia do Desenvolvimento


Introdução

Para falarmos de desenvolvimento precisamos ter em mente que é um processo que se inicia na concepção e termina com a morte. Desenvolvimento significa evolução, progresso, movimento, mudança e crescimento.Na presente pesquisa do desenvolvimento, podemos nos deter na esfera biológica, emocional, intelectual ou social. Todas as esferas do desenvolvimento citadas estão relacionadas umas as outras, o ser humano é um todo, e nada acontece separadamente. Ao pesquisar a área do desenvolvimento em psicologia, estaremos conhecendo a história do homem, desde o seu nascimento até sua morte, compreendendo o que acontece em cada idade, e o que caracteriza estas fazes.O desenvolvimento é dependente de dois fatores básicos: a maturação e o ambiente. Maturação está relacionada ao processo biológico, é a aparência inata do desenvolvimento. Maturação está ligada ao crescimento de células, tecidos, músculos e órgãos. Desta maneira a criança não poderá caminhar sem que esta estrutura muscular venha se desenvolver. Qualquer tipo de treinamento antes desse período será inútil, sem que as estruturas musculares venham estar totalmente desenvolvidas, proporcionando a criança a tal. Ambiente inclui as experiências vividas pela criança e proveniente do meio que a cerca: [1] “a educação, a influência dos pais, a alimentação, as doenças. O ambiente pode interferir no processo de maturação, as doenças podem afetar o crescimento do esqueleto e dos músculos.” [2]

O Desenvolvimento Pré-natal e o Nascimento

A história de um homem, não se inicia no seu nascimento nem na concepção, mas ela se volta no tempo até o encontro com seus avós, bisavós, tetravós. Vemos que durante o período pré-natal, como também nos outros períodos há uma junção de fatores genéticos e ambientais. Muitos problemas congênitos são atribuídos às causas genéticas, mas a maior parte desses problemas são causas genéticas e ambientais interagidos. Podemos citar alguns exemplos de fatores ambientais que pode prejudicar o feto como: a alimentação da mãe o fumo, o consumo de drogas, e o ato de enjerir bebidas alcoólicas. [3] Sendo evidente que a vida do ser humano se inicia antes mesmo do seu nascimento, podemos concluir o porquê de algumas culturas orientais começam a contar a idade cronológica do ser humano a partir de sua existência pré-natal, ou seja, da sua vida intra-uterina propriamente dita. Porém em nossa cultura vemos que não incluímos o período pré-natal como inicio de contagem cronológica da idade da pessoa.Entre os ocidentais, mesmo não contando esse período, os estudos de processo de desenvolvimento do ser humano, nos mostra que a vida se inicia no período pré-natal, ou seja, inicia-se, de fato, a vida do ser humano a partir do instante em que o individuo se forma no ventre materno. Por muitos séculos, percebemos que o homem sempre se preocupou mais com a origem, do que com o desenvolvimento pré-natal do individuo. [4]

O Desenvolvimento Físico

Nesta faze do desenvolvimento a criança nasce com alguns dos seus sentidos funcionando normalmente, e outros de forma precária. E assim, esta criança vai trilhando pela faze do desenvolvimento. Existem dois princípios fundamentais, e gerais que governam o desenvolvimento físico do recém-nascido. Em primeiro lugar é constatado que ele sucede no sentido cabeça-pé. Desta maneira, a cabeça, e o pescoço da criança atingem a maturidade antes das pernas. Em segundo lugar, o desenvolvimento ocorre no sentido centro-periferia, isto quer dizer, que a criança aprende a governar os braços antes mesmo que venha aprender a dominar os dedos. [5]”Diferentes sistemas e órgãos, seguem ritmos diversos de desenvolvimento” [6] Para exemplificar, até antes do nascimento vemos que a cabeça e o sistema nervoso crescem e se desenvolvem mais. Depois do nascimento o ritmo de crescimento dos braços é maior do que o da cabeça. Temos que ter sempre em mente que o desenvolvimento físico não é separado do social, intelectual e emocional. O desenvolvimento defeituoso no físico pode certamente abalar seriamente o autoconceito da criança, ou de um adolescente, e consequentemente ficará marcado com uma carga negativa por esse defeito no desenvolvimento, prejudicando-o no seu desenvolvimento social e emocional.Um bom desenvolvimento físico proporcionará, e colaborará para o ajustamento. Alguns estudos pesquisas e observações mostram que há períodos críticos no desenvolvimento, isto quer dizer, que num determinado momento, a criança já esta preparada, e madura para dominar determinadas respostas como falar e andar. A aprendizagem dessa resposta deverá ocorrer nesse período, caso isso não aconteça, será difícil resgatar a oportunidade, e o desenvolvimento ficará irreversivelmente danificado. [7]“As crianças que crescem em condições de severas privações de estimulação dos sentidos e da inteligência, de alimentação e saúde, de relações sociais positivas, tem se desenvolvimento irreversivelmente prejudicado.” [8]

O Desenvolvimento Emocional e Social

É importante que a criança tenha um bom relacionamento com sua mãe, porque os demais relacionamentos estarão sempre ligados a este primeiro. Quando houver uma relação positiva entre mão e filho, este se sentirá mais seguro, e mais autoconfiante, são características que vão estar incutidas nele pelo resto da sua vida.A socialização de uma criança tem seu inicio fundamentalmente em sua família, onde ela cresce através do seu relacionamento com seus pais, e companheiros, e vai se desenvolvendo criando corpo na escola continuando este processo na adolescência, e juventude até atingir a vida adulta. É importante nós sabermos que a base disso tudo sempre estará na família, ou seja, no meio em que ela vive. Sempre que o relacionamento com os membros da família for positivo, principalmente com a mãe, a criança passará a perceber que os demais que estão ao seu redor, são fonte de satisfação, e confiança positiva. Um fator importantíssimo que não podemos deixar acontecer com nenhuma criança, é de que esta venha ficar sem a presença paterna.Os autores são unânimes nesse ponto, em enfatizar a figura paterna, no desenvolvimento de comportamentos que se referem ao papel sexual das crianças, tanto do sexo masculino quanto do feminino. Os estudiosos do assunto dizem que a ausência da figura paterna no lar, pode gerar sérias conseqüências para as crianças, como a possível troca do desejo sexual. As pesquisas nos alertam que a ausência do pai, prejudica o desenvolvimento cognitivo, especialmente dos filhos de sexo masculino. [9]

O Desenvolvimento Intelectual

Jean Piaget foi considerado o maior estudioso da inteligência da criança. Ele defendia o principio que o desenvolvimento se da em etapas ou fazes. Para Jean Piaget, existem quatro estágios definidos no desenvolvimento intelectual da criança. Ele denomina o primeiro estagio como sendo sensório motor, por causa da percepção estar ligada aos movimentos. Este período se inicia no nascimento e vai até os dois anos se caracterizando pelos seguintes comportamentos: a criança acaba aprendendo diferenciar o seu próprio corpo dos diferentes objetos.Sem nenhuma linguagem, e os objetos já são definidos, e conceituados a partir do seu uso ou manipulação. Nesta faze os objetos só existem enquanto estão à vista, a criança busca e precisa ser estimulada. O segundo é denominado pré-operacional que começa dos dois, e vai até ao sete anos. Nesta faze o pensamento da criança é egocêntrico, e ela não é capaz de ter o mesmo ponto de vista do outro. Para ela duas bolas têm a mesma cor, elas são percebidas com iguais. Quando a criança chega aos quatro anos inicia-se o pensamento intuitivo, e através disso a criança começa a perceber relações, e a pensar em termos de classe. Quando a criança chega nesse ponto, nós percebemos que ela já dominou os conceitos numéricos.O terceiro estágio é o das operações concretas. E esta faze tem seu inicio aos sete anos indo até aos onze anos, o interessante nesta faze, é que a criança começam a pensar logicamente. Mas ainda ela não é capaz de abstrair, ela sempre fará algumas referências ou uso de fatos concretos para afirmar sua idéia. O interessante, é que a criança nesse estágio já é capaz de entender as coisas, e classificar os objetos em hierarquias.O último estágio do desenvolvimento começa nos onze anos e vai até os quinze anos, este último, denomina-se período das operações formais. O aspecto básico desse estágio é o pensamento lógico formal, nesta circunstância, o jovem adolescente já é capaz de elaborar suas próprias opiniões e hipóteses, pois agora, ele acaba de atingir a maturidade intelectual. [10]

Conclusão

Psicologia do desenvolvimento é o estudo sistemático da personalidade humana, desde a formação do indivíduo, no ato da fecundação, até à velhice. A fase da infância é o processo evolutivo que caracteriza uma série de ajustamentos, e que o organismo tem de fazer em função do meio em que a criança vive. É evidente que este processo de convivência e adaptação, não se limita apenas na fase da infância, mas o que acontece com o ser humano nesta fase da vida, é extremamente importante para o processo do seu desenvolvimento, porque podem ocorrer sérios problemas na fase adulta por motivo de um mau desenvolvimento na infância.

Este trabalho foi apresentado à disciplina de Piscologia Geral do Seminário Teológico Rev. Antonio de Godoy Sobrinho, situado na cidade de Londrina PR. Rodrigo Santos.

Bibliografia
BRAGHIROLLI, Eliane Maria et al. Psicologia Geral. Petrópolis: Vozes, 2005.ROSA, Merval Psicologia Evolutiva. Petrópolis: Vozes, 1991
[1] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 154
[2] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 154
[3] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 154.
[4] Merval Rosa. Psicologia Evolutiva, p. 9.
[5] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 155.
[6] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 155.
[7] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 155.
[8] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 156.
[9] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p. 156-157.
[10] Elaine Maria Braghirolli et al., Psicologia Geral, p.159-160.


PASTORAL DA SAÚDE: A AÇÃO PASTORAL FRENTE ÀS NECESSIDADES HUMANAS


INRODUÇÃO
Para a Pastoral da Saúde, ter saúde, não é só estar bem com o próprio corpo, mas com os pensamentos e emoções. É o bem estar espiritual.A Pastoral da Saúde acontece em domicílios, hospitais, asilos, creches, conselhos de saúde, escolas, associações de bairros, sindicatos, em todo lugar que se importa com a saúde. O Agente da Pastoral da Saúde desenvolve um trabalho de anúncio do Evangelho, humanização, prevenção e promoção da saúde, em três dimensões: Solidária; Comunitária e Político Institucional.
EMAÚS: UM CAMINHO PASTORAL
Boa parte do ministério de Jesus foi dedicado aos enfermos. Ele sempre mostrou uma predileção especial a eles. Os textos bíblicos que falam a respeitos dessas ações são estimulantes contribuições para o desenvolvimento de “uma espiritualidade” orientada pela ação pastoral. O texto de Lucas 24: 13 - 35, que é centrado na revelação do Cristo ressuscitado aos seus discípulos, narra perfeitamente esse episódio de ação pastoral ou, pastoral da saúde, frente às necessidades humanas.[1]Os dois discípulos de Emaús estavam vivendo um momento de perturbação e angústia. A história dos discípulos e seus sentimentos é semelhantes à experiência de muitos doentes que, frente à perda de sua saúde, sentem o desabamento de suas certezas e esperança. A presença de Jesus nesse cenário e o seu modo de relacionar-se com eles, nos fornece ferramentas que podem guiar o agente Pastoral em sua relação de ajuda com os doentes. [2]A ação pastoral é caracterizada pelo carisma da misericórdia que se manifesta no íntimo do agente Pastoral. É uma resposta às situações específicas de sofrimento humano. Nesta narrativa, do caminho de Emaús, Jesus se prepara para envolver-se nesta realidade, neste cenário humano, assim como o agente Pastoral entra no mistério de pessoas desconhecidas para oferecer sua presença.[3]É interessante que nesta narrativa, as multidões de doentes não vão até Jesus, nesta ocasião é ele mesmo que, deduzindo o sofrimento interior dos dois peregrinos, se aproxima deles, “põem-se a caminho com eles”. Tomar a iniciativa de aproximar-se de quem sofre e pôr-se a caminho junto, é uma característica peculiar do agente Pastoral.[4] A ação Pastoral é tomar iniciativa ante as calamidades humanas; a palavra “iniciativa” significa “estar dentro”, empreender alguma coisa de novo. Onde há iniciativa, conseqüentemente são criadas condições para a transformação e para o diálogo. Ao contrário disso, predomina-se a hesitação e a passividade e as chances do crescimento humano e espiritual desaparecem.[5]Nesta narrativa, Jesus começa um diálogo com uma pergunta. Isto é importante porque a pergunta é um recurso eficiente para abrir conversa: “como está?” “como vão as coisas?” e assim por diante. A reposta nos permite a entrar no mundo do outro e entender um pouco o humor e as preocupações dele. No contexto pastoral devem-se usar técnicas com discernimento. Muitos acreditam que comunicar-se é bombardear com uma chuva de perguntas. Se a ação pastoral for marcada continuamente por pontos interrogativos, corre-se o risco de transformar a visita num interrogatório. O encontro com o necessitado não é um exame. Quando nos apressamos em preencher as lacunas das dores com interrogações, não constituímos um autêntico diálogo. Há outras formas de ação, como um aceno de cabeça, um silêncio respeitoso, um comentário em sintonia com as preocupações do outro, que permitem um diálogo corrente, com maior naturalidade e eficácia.[6]A ação Pastoral também deve estar familiarizada com as respostas verbais e não verbais. As pessoas falam com seus olhos e com a expressão de seu rosto melhor do que palavras. O mapa exterior da pessoa é um guia às suas paisagens interiores, temos que aprender esses traços. No caminho de Emaús, Jesus identifica essas duas respostas, verbais e não verbais. Verbal no tocante a tristeza deles em suas palavras: tinham colocado todas as suas esperanças num homem que acabara pregado numa cruz. O seu trágico e incompreensível fim os tinha transtornado. Não verbal em relação aos seus semblantes melancólicos. As pessoas feridas sentem-se aliviadas quando encontram um modo de contar e compartilhar o que dói e pesa em seu íntimo. O dar valor às angústias escondidas, às perspectivas não esperadas permite dar um respiro aos sofrimentos interiores. O agente Pastoral que sabe escutar, sem se preocupar em dar conselhos ou resolver os problemas do outro, encontrou a chave para entrar no coração e captar a confiança das pessoas.[7]A abordagem Pastoral visa confrontar as idéias que faz com que as pessoas vivam uma fé infantil, alargando seus horizontes e promovendo saúde emocional, física e espiritual.A ação Pastoral de Jesus na vida dos discípulos, fez com que eles insistissem a sua permanência com eles. O diálogo intenso dos dois peregrinos com o desconhecido cria sentimentos de amizade e de confiança. O convite insistente que fizeram – “fica conosco” - é para uma comunhão mais profunda. Estar em comunhão com alguém significa apreciar os seus pontos de vista, modo de sentir e valores.[8]Jesus participou da mesa com os peregrinos, a experiência da comunhão, o ficar com alguém leva a um conhecimento mais profundo. Até o presente momento Jesus era um estranho, mas admirado. Na mesa ele se revela quem é de verdade e é reconhecido no partir do pão.O agente Pastoral, além de criar um clima favorável, em que o doente se sente livre para se revelar, procura também estar atento em perceber e compreender os símbolos de sua fé. Ele valoriza a dimensão litúrgica e os sinais sacramentais que o tornam, nas mãos de Deus, um instrumento do amor sempre presente.
CONCLUSÃO
A ação pastoral não pode limitar-se apenas dentro de quatro paredes, mas deve estar presente em vários lugares e setores da nossa sociedade. Não podemos viver um cristianismo que se prende apenas na “alma”, mas sim que esteja envolvido com toda a integralidade humana. A palavra de Deus é uma ferramenta e um manual indispensável para esta atividade. Pois ela elucida com muita precisão as características do agente pastoral, na atividade da pastoral da saúde, pautada na pessoa de Cristo.Nossa visão deve ser introspectiva, que busca no cerce da alma, descobrir as verdadeiras angústias e crises existenciais de cada ser humano. Neste sentido, o caminho de Emaús tem muito a nos ensinar, pois estar no “caminho” significa estar em movimento, em atividade e em contado com os que sofrem. A ação pastoral surti um efeito positivo na vida daqueles que são marcados pelo sofrimento, pois a resposta delas frente a tal é: “fica conosco”. (Lc 24: 29) Expressando o sentimento de necessidade, cuidado e bem estar juntamente com aquele que se põem a caminho com os necessitados.
Deus nos abençoe!
Pr. Lic. Rodrigo da Costa Santos.
BibliografiaPESSINI, Leocir. Bioética e Pastoral da Saúde. Ed. Santuário. São Paulo, 1989.[1] Bioética e Pastoral da Saúde. p. 96.[2] Idem, ibidem.[3] Idem, ibidem, p. 97.[4] Idem, ibidem.[5] Idem, ibidem.[6] Idem, ibidem. p. 97-98.[7] Idem, ibidem, p. 98.[8] Idem, ibidem, p. 100.

 
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